domingo, 19 de agosto de 2007
CENTENÁRIO DE NASCIMENTO DE MIGUEL TORGA
Se ainda tivesse vivo, o médico e poeta, Adolfo Correia Rocha, que usava o pseudônimo Miguel Torga, teria feito 100 anos no passado dia 12 de Agosto.
Coimbra foi o principal palco de homenagem ao autor, com a inauguração de um monumento no Largo da Portagem, onde o médico Adolfo Rocha tinha um consultório e a (re)abertura da casa-museu Miguel Torga, recuperada pela câmara, onde alberga importante espólio do poeta doado pela sua filha Clara Rocha.
A obra do poeta que usava as terras agrestes transmontanas, de onde era oriundo, como inspiração, foi lembrada pelo presidente português Aníbal Cavaco Silva, como o "reencontro com o melhor e mais profundo de Portugal". "Nesga da terra debruada de mar", assim qualificou Torga o nosso país. Ela é a síntese perfeita do Portugal que somos, concluiu Cavaco Silva.
O escritor português proveniente de uma família humilde, emigrou para o Brasil em 1920, aos 12 anos, para trabalhar na fazenda do tio em Minas Gerais na cultura do café como capinador, vaqueiro e caçador de cobras. De volta a Portugal, em 1925, conclui o ensino liceal e entra para o curso de Medicina em Coimbra onde opta pela especialidade de Otorrinolaringologia.
O contista, romancista, ensaísta, dramaturgo, autor de mais de 50 obras publicadas desde os 21 anos, estreou-se em 1928 com o volume de poesia "Ansiedade".
Torga foi várias vezes premiado, nacional e internacionalmente. Foi o primeiro vencedor do Prêmio Camões em 1989.
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Brasil
Onde vivi
Brasil onde pensei
Brasil dos meus assombros de menino
Há quanto tempo já que te deixei,
Cais do lado de lá do meu destino!
Que milhas de angústias no mar da saudade!
Que salgado pranto no convés da ausência!
Chegar.
Perder-te mais.
Outra orfandade,
Agora sem o amparo da inocência.
Dois pólos de atração no pensamento!
Duas ânsias opostas nos sentidos!
Um purgatório em que o sofrimento
Nunca avista um dos céus apetecidos.
Ah, desterro do rosto em cada face,
Tristeza dum regaço repartido!
Antes o desespero naufragasse
Entre o chão encontrado e o chão perdido.
Miguel Torga
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