quarta-feira, 18 de julho de 2007

2ª CIMEIRA UE/ÁFRICA EM LISBOA

Lisboa,29,maio - O presidente português, Aníbal Cavaco Silva, convidou seu homólogo sul-africano, Thabo Mbeki, para ajudar a criar as condições políticas favoráveis ao sucesso da segunda cimeira UE/ÁFRICA prevista para dezembro em Lisboa. Na pauta do colóquio temas controversos como: reforços dos laços políticos, a promoção da paz, segurança, desenvolvimento, direitos humanos, integração regional e continental da África, cooperação para fazer frente aos "desafios globais" e a promoção de uma ampla parceiria entre os povos abrangidos.

Nesta segunda, o clima pró-cimeira invadiu a capital portuguesa - embaixadores africanos promoveram um encontro para debater o dia de África (instituido em 1972 pela ONU e comemorado a 25 de maio). O evento reuniu várias personalidades internacionais, dentre estas, o antigo secretário geral da ONU, Koff Annan e o ex-presidente português e atual comissário das Nações Unidas para aliança das civilizações, Jorge Sampaio. Durante as celebrações o diplomata angolano, Assunção dos Anjos, para quem o diálogo afro-europeu "atingiu um nível sem precedentes", manifestou o desejo de que a segunda cúpula UE/ÁFRICA possa sustentar esse diálogo."Da África, dirão mais coisas novas e o renascimento africano é uma tarefa gigantesca e urgente. A África não pode esperar",disse o diplomata, acenando para a comunidade internacional.

A representante da Comunidade Européia (CE) -braço executivo da UE - Maria Margarida Marques, responsabilizou a política e os políticos pelo atraso no continente africano. Apontou a UE como maior doador mundial, com 56% do montante global, acrescentou ainda que em 2006 os 27 países membros do bloco europeu disponibilizaram 48 bilhões de euros ( cerca de 132 milhões de reais) para ajuda pública ao desenvolvimento. Margarida Marques adiantou que em 2010 a intenção da UE é aumentar em 20 bilhões de euros a ajuda ao desenvolvimento.

A primeira cimeira euro-africana aconteceu em abril de 2000, no Cairo. A segunda estava prevista para 2003 - adiada por tempo indeterminado graças a oposição de alguns países membro da UE - sobretudo o Reino Unido que contestou a participação no encontro do presidente do Zimbábue, Robert Mugabe ( 83 anos - no poder desde 1980 - alvo de sanções desde 2002 e proibido de pisar em solo europeu), acusado de promover um regime totalitário e antidemocrático. O Zimbábue é considerado o país mais corrupto do continente africano.Estima-se que seja a nação com maior número de pesssoas a viverem abaixo do limiar da pobreza.

O governo português tem procurado manter separada a situação do Zimbábue e a realização da cimeira. Acredita que um convite a Mugabe não representa qualquer forma de apoio à sua política. A UE alinha nessa posição e considera que um reforço das relações com o continente africano não deve ser posto em causa com a situação específica de um país.

A chanceler alemã, Angela Merkel, que em julho passa a faixa da presidência da UE para o governo luso, defende o avanço do certame euro-afro, apesar de considerar "inaceitável" a política defendida por Mugabe.

O presidente da assembléia nacional da África do Sul, Beleka Mbete, foi indicado para mediar o diálogo entre o regime do presidente Robert Mugabe e a "oposição deste país". Mbete tem a espinhosa missão de promover um clima favorável para a cimeira de dezembro em Lisboa. O líder sul-africano assegura que a situação política do Zimbábue não representa um obstáculo à realização da cúpula UE/ÁFRICA.

Portugal elegeu a realização da segunda cúpula do bloco europeu com a África e o aprofundamento das relações com os países da margem sul do mediterrâneo como prioridades durante a presidência rotativa da UE (de julho a dezembro). Cavaco Silva, defende uma estratégia conjunta da UE com os países africanos e uma parceiria a longo prazo. Para o presidente da União Africana, John kufuor, que sublinhou o pensamento do presidente português, a África não pede apenas dinheiro, mas parceirias e investimentos."Não queremos ser pedintes, mas parceiros, com mútuo respeito e mútuos benefícios",desabafou Kufuor.

Pode ser que as conversações de dezembro resultem em melhorias significativas para a sofrida e castigada África.

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