CRISE ABALA RELAÇÕES ENTRE A UNIÃO EUROPÉIA (UE) E A RÚSSIA
Lisboa,28,maio - A última cimeira UE/RÚSSIA aconteceu na segunda quinzena de maio nos arredores da cidade russa de Sansara. A reunião chegou ao fim sem a assinatura de qualquer acordo, o que não é previsto nessas ocasiões.
A chanceler alemã e atual presidente do bloco europeu, Angela Merkel e o presidente da Comissão Européia (CE), José Manuel Durão Barroso, lideraram o encontro que abordou com os dirigentes do Kremlin temas polêmicos como a instalação de sistemas norte-americanos de defesa anti-míssil na Polônia e na República Checa, o fornecimento de combustível por Moscou à Europa, o estatuto do Kosovo e o eventual início de conversação sobre a assinatura de um acordo de cooperação entre a Rússia e a UE.
Durão Barroso mostrou-se pouco entusiasmado com a cúpula UE/RÚSSIA. Disse que não espera nada de espetacular dessa cúpula, mas que insiste na defesa dos interesses dos 27 membros do bloco europeu. Barroso alertou a Rússia que qualquer ação contra um Estado membro é considerada uma ação contra o bloco inteiro. "Se você quer uma relação próxima de cooperação é muito importante entender que a UE é baseada em princípios de solidariedade", salientou.
O primeiro-ministro português, José Sócrates, encontra-se na Rússia em viagem oficial. Será recebido pelo seu homólogo russo, Vladimir Putin - um mês antes de Portugal assumir a presidência rotativa da UE. Num momento em que Bruxelas e Moscou enfrentam um impasse diplomático. Fonte da diplomacia portuguesa afasta qualquer possibilidade de negociação com as autoridades russas para desbloquear o impasse com Bruxelas, até porque o governo português não tem legitimidade para isso no momento. No entanto, assegura que durante as conversações o chefe do governo luso não deixará de passar a mensagem no sentido de que a crise diplomática se resolva a curto prazo.
Sócrates destaca as relações amigáveis entre os dois países e diz que precisam evoluir mais. Aposta nas exportações portuguesas para a Rússia - país que registra um crescimento de 6% ao ano e cujo consumo têm aumentado em um ritmo anual de 30%."Tenho esperança de que a minha presença resulte em uma relação econômica mais profunda. Há quatro potências emergentes no mundo (Brasil, Rússia, India e China - Bric) e quero contribuir para a internacionalização da economia portuguesa que precisa está presente onde há registros de crescimento forte",frizou Sócrates.
Os russos pretendem também aumentar suas vendas e investimentos no mercado português. Como parte do programa da visita lusa a Moscou será apresentado um espetáculo aéreo com os helicópteros KAMOV que Portugal adquiriu para combater os incêndios. Além das vendas de helicópteros e de investimentos da companhia de gás russo em Portugal, a empresa russa LEVICOR pretende investir na construção em Portugal de uma fábrica de produtos de anticorrosão para a industria automotiva.
Politólogos russos afirmam que a Rússia e a UE atravessam a maior crise depois da queda do muro de Berlim, em 1989. Apontam o arrefecimento dessas relações para o início de 2006 - quando a Rússia cortou o fornecimento de gás para a Ucrânia, prejudicando alguns clientes da UE - destino de 25% desse gás e petróleo. Nessa mesma altura Moscou proibiu a importação de carne da Polônia, alegando razões sanitárias. Para azedar mais a situação a Rússia cortou o fornecimento de petróleo à refinaria lituana de Mazeikiai (única existente nos países bálticos - Estônia, Letônia e Lituânia). Moscou defende-se apontando problemas técnicos. Há quem veja nisso questões meramente políticas - por que o governo lituano preferiu vender a refinaria de Mazeikiai a uma empresa polaca e não a uma russa.
O Kosovo é outro tema sensível que estremece as negociações entre Bruxelas e o Kremlin. A Rússia ameaça usar seu direito ao veto no conselho de segurança das Nações Unidas, caso seja posto a votação o plano do enviado especial da ONU, Mart Ahtissaari ( que prevê a independência vigiada durante o período transitório em que a NATO se vai manter no terreno e a ONU dará lugar a uma missão da UE) - apoiado pela UE e os Estados Unidos e que conduz a independência do Kosovo em relação à Sérvia.
Líderes da UE manifestam preocupação com a política russa de desrespeito aos direitos humanos e as liberdades fundamentais. Chamam atenção para o caso dos ativistas opositores de Putin, incluindo o ex-campeão de xadrez Garry Kasparov, detidos em um aeroporto de Moscou ao criticarem o regime russo.
No encontro da Sansara, Angela Merkel cujo o governo ocupa a presidência rotativa da UE, criticou duramente as autoridades russas por deter os manifestantes.
Vladimir Putin chamou Kasparov e seus companheiros de marginais. Rebateu as críticas de Merkel acusando países do bloco europeu de ter falhas em suas democracias. Lembrou ainda os confrontos do primeiro de maio último em Hamburgo e os 148 manifestantes detidos pela polícia alemã. A chanceler alemã respondeu o comentário afirmando que as duas situações foram bastante distintas.
A próxima cimeira UE/RÚSSIA decorre em Portugal durante a presidência portuguesa da UE (de julho a dezembro).Pode ser que nesta consiga-se pelo menos assinar um acordo.
quarta-feira, 18 de julho de 2007
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