quinta-feira, 19 de julho de 2007
CIMEIRA DO G8 NA ALEMANHA
Lisboa,09,junho - O grupo do G8 - formado pela Alemanha, Canadá, EUA, França, Itália, Japão e Reino Unido (antigo G7) mais a Rússia - reuniram-se, nesta semana, no balneário alemão de Heligedamm, no mar báltico, para a 33ª cúpula anual. O encontro chegou ao fim nesta sexta com resultados pouco animadores, principalmente no tópico "meio ambiente."
O bloco europeu, liderado pela chanceler alemã, Angela Merkel, alimentava a esperança de que o G8 concordasse com o lançamento de conversações que incluissem metas vinculativas de redução de emissões de gases nocivos ao planeta na conferência das Nações Unidas (ONU) prevista para o período de 4 a 13 de dezembro próximo em Bali, Indonésia. O presidente americano,George Bush, foi contra a proposta e sugeriu novo ciclo de negociações sobre o clima - trata-se de reunir os países responsáveis por mais de 80 por cento das emissões de gases com efeito estufa (entre eles a China e a India) para aspirar ao "objetivo global a longo prazo" de redução das emissões. O presidente da Comissão Européia (CE),Durão Barroso, saúda a iniciativa, mas considera "absurdo" um problema global ter uma proposta parcial.
Os líderes dos países emergentes mais importantes (Brasil,India,China, México e África do Sul) fizeram um apelo aos industrializados no sentido de que não deverão estabelecer metas de redução de emissão de CO2 exatamente no momento em que as suas economias começam a crescer.
Angela Merkel defende responsabilidades diferenciadas para os países emergentes. Mas assegura que até 2012, quando vence parte do protocolo de Kyoto, os países industrializados do G8 representarão apenas 30 por cento das emisões mundiais."As emissões dos países emergentes serão significativas. Não podemos sozinhos combater o aquecimento global e deixar os demais países em um caminho doce,"destaca Merkel.
O chefe do governo françês, Nicolas Sarkozy, reitera a posição da chanceler alemã, descartando qualquer possibilidade dos países emergentes em se eximir de responsabilidades."Imagine se todos os chineses poluirem como os americanos", observa o líder.
Os países emergentes aproveitam a oportunidade para exigir do G8 ajuda para o desenvolvimento das economias mais pobres e que as Metas do Milênio da Organização das Nações Unidas de redução da pobreza, sejam atingidas até 2015. Dados do Banco Mundial (Bird) indicam que os países mais ricos reduziram as contribuições para os mais pobres entre 2005 e 2006, apesar das promessas.
As conversações do bloco tornam-se tensas quando voltadas para Moscou. De acordo com a imprensa russa, o presidente Putin iria enfrentar a cimeira mais difícil de sempre. Onze meses depois da cimeira de São Petesburgo, muito mudou entre as relações dos oito países : Os planos de instalação do sistema de defesa anti-missil norte americano no leste da Europa provocam duras reações no Kremlin.O estatuto do Kosovo, o embargo russo à carne polaca, a crise da Rússia com a Estônia em torno do monumento do soldado soviético derrubado em Tellin(capital da Estônia) ameaçam a paralisação do diálogo entre Moscou e Bruxelas.
Quando direcionadas para África, as conversações do bloco dos mais ricos, pelo menos teoricamente, surtem resultados positivos para o continente. Apesar das reservas iniciais da Itália e do Canadá, fechou-se um acordo (sem prazo) que promete 60 bilhões de dólares em ajuda no combate a AIDS, malária e tuberculose - doenças que devastam países africanos. O grupo reafirma a promessa feita em 2005 - elevar o valor anual de ajuda humanitária global a 50 bilhões de dólares (esta com prazo-até 2015) - metade desse montante será destinado a África.
O encontro do G8, como é de praxe, enfrenta sempre forte resistência. Lanchas do Greenpeace invadiram a zona de segurança em protesto que exigia metas claras de proteção do clima. Na cidade vizinha de Rostock o vocalista do U2, Bono, juntava-se a Bob Geldorf - em cimeira alternativa ao G8 - no concerto "VOZES CONTRA A FOME."Cerca de 70 mil pessoas participaram do evento solidário.
Valery Giscard d'Estaing, ex-presidente da França, criador, em 1975, do clube que hoje é conhecido como G8, questionou a estrutura do clube e chamou atenção para a crescente China. Disse que o clube existirá enquanto servir a um propósito, até o dia em que a China e a India forem ambas maior que várias das economias que integram hoje o grupo. "Isso deverá ocorrer em questão de uma década ,quando o grupo completa 40 anos, tempo suficiente para fazer alguma coisa diferente," sentenciou o idealizador do clube dos mais poderosos do mundo.
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